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Laura Zúñiga

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"As coisas delicadas tratam-se com cuidado"
Filosofia Cabinda
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Um dedo de prosa

ou: queimando a mufa
11 Mai

Soneto branco e mudo

  Como em um corredor vazio, sigo, obediente
Sem temer as ressalvas, olho, reluzente

  O passado me fita, descontente
mas meu futuro me mira, confiante.

  Se eu tivesse escolha seguiria, claudicante

  Uma das passagens errantes.
  Mas como não me resta a dúvida abarco, insistente,
  O caminho tortuoso, definido.
  Sigo confiante, mudamente.
16 April

Waltz for Nina


Se eu soubesse anteriormente esses detalhes seus
Talvez não tivesse saboreado o rancor pungente tanto tempo
Talvez tivesse apreciado um pouco daquilo tudo que sempre reneguei
E quiçá aprendido e me deliciado com minha tola veemência.

Reconheço o peso de sua ausência
E devo dizer da felicidade em admitir sua perda
Porque eu aprendi a me defender,
E também a me perdoar
Porque se eu tivesse ido embora com você, talvez suas notas
Fossem diferentes.
Mas você optou pelo momento em que minha predileção
Ou minha delicadeza
Não me permitiu nenhum movimento.

E então você voltou, e aqui retornei para dizer o quanto senti
O quanto lembrei
E a cada recordação, o palpitar do meu coração acostumou-se um pouco mais
Com sua ausência
Até quase parar por completo, após exaustivos passos em falso.
Se mais uma vez nos percebemos frente a frente, lábios mudos
E olhos tão contentes
O que fazer para não perder seus passos uma vez mais, ou deixá-la ir,
Livremente, para não ter de cercear sua solidão?
Diz-me o que é menos doloroso, o tênue trecho seguro, e me calarei, obediente.

Recordo as palavras doces e fluidas das frescas tardes
E de cada riso, e de cada toque fortuito
Minhas lembranças não pemitem sua inexistência para mim
Por ter sido assim que a vi, assim que a guardei este tempo comigo
E assim desejo levá-la, para onde for, onde parar
Sem mágoa, sem medo, mais leve.



05 April

Víctor, uma vez mais

Ainda de olhos fechados,
sentia a presença.

Sentia
o perfume de Víctor.

Quando deixei de perguntar
Seu olhar indiferente desfez toda possibilidade
de conhecimento.

Minha língua gostaria de tagarelar tantas coisas para você, Víctor

Mas eu não estava só nessa desesperança.

Havia sua ausência, Víctor
que preenchia minhas pegadas na grama úmida.

Não havia o que perguntar.
eu já sabia tudo,
você já tinha desistido de me dizer que sim,
mas havia se omitido do não.

Segui obediente o quanto pude, o quanto quis
enquanto aguentei o fardo de meu eco no seu silêncio

Mas para quem já se ouviu no outro piscar
as não-palavras pesam demais.

........

Saí com o breu ocupando meu lugar
e tranquei a porta, joguei fora as chaves.
Se eu não retornaria, por que haveria você de voltar?
31 März

.




Meu choro é um canto.
28 März

Demissão do muso

  São duas existências
absolutamente ignorantes
do ser alheio.
  São indissociavelmente
complementares
  E a mim, que a tudo assisto,
ora distanciando-me,
ora me aproximando
  Absorvo sua complementação
onírica
somente que sou eu a me deleitar.

  Não o digo, não o proclamo.
  Não o dizem, não o sentem
- Aproximam-se de uma simbiose
a deixar univitelinos invejosos

  Mas sou eu, também,
seu vórtex.

  Cada arranhão, toda gota de sangue
é a mim que fere, é de mim arrancada.
  Mas nada disso importa
  Agora que as existências
indissociaram-se indelevelmente
  É o meu sono que não vem mais
à noite
  Atormentando, minuciosamente,
cada piscada minha.
 
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