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Um dedo de prosaou: queimando a mufa 11 Mai Soneto branco e mudo Como em um corredor vazio, sigo, obediente Sem temer as ressalvas, olho, reluzente O passado me fita, descontente mas meu futuro me mira, confiante. Se eu tivesse escolha seguiria, claudicante Uma das passagens errantes. Mas como não me resta a dúvida abarco, insistente, O caminho tortuoso, definido. Sigo confiante, mudamente. 16 April Waltz for NinaSe eu soubesse anteriormente esses detalhes seus Talvez não tivesse saboreado o rancor pungente tanto tempo Talvez tivesse apreciado um pouco daquilo tudo que sempre reneguei E quiçá aprendido e me deliciado com minha tola veemência. Reconheço o peso de sua ausência E devo dizer da felicidade em admitir sua perda Porque eu aprendi a me defender, E também a me perdoar Porque se eu tivesse ido embora com você, talvez suas notas Fossem diferentes. Mas você optou pelo momento em que minha predileção Ou minha delicadeza Não me permitiu nenhum movimento. E então você voltou, e aqui retornei para dizer o quanto senti O quanto lembrei E a cada recordação, o palpitar do meu coração acostumou-se um pouco mais Com sua ausência Até quase parar por completo, após exaustivos passos em falso. Se mais uma vez nos percebemos frente a frente, lábios mudos E olhos tão contentes O que fazer para não perder seus passos uma vez mais, ou deixá-la ir, Livremente, para não ter de cercear sua solidão? Diz-me o que é menos doloroso, o tênue trecho seguro, e me calarei, obediente. Recordo as palavras doces e fluidas das frescas tardes E de cada riso, e de cada toque fortuito Minhas lembranças não pemitem sua inexistência para mim Por ter sido assim que a vi, assim que a guardei este tempo comigo E assim desejo levá-la, para onde for, onde parar Sem mágoa, sem medo, mais leve. 05 April Víctor, uma vez maisAinda de olhos fechados, sentia a presença. Sentia o perfume de Víctor. Quando deixei de perguntar Seu olhar indiferente desfez toda possibilidade de conhecimento. Minha língua gostaria de tagarelar tantas coisas para você, Víctor Mas eu não estava só nessa desesperança. Havia sua ausência, Víctor que preenchia minhas pegadas na grama úmida. Não havia o que perguntar. eu já sabia tudo, você já tinha desistido de me dizer que sim, mas havia se omitido do não. Segui obediente o quanto pude, o quanto quis enquanto aguentei o fardo de meu eco no seu silêncio Mas para quem já se ouviu no outro piscar as não-palavras pesam demais. ........ Saí com o breu ocupando meu lugar e tranquei a porta, joguei fora as chaves. Se eu não retornaria, por que haveria você de voltar? 28 März Demissão do muso São duas existências absolutamente ignorantes do ser alheio. São indissociavelmente complementares E a mim, que a tudo assisto, ora distanciando-me, ora me aproximando Absorvo sua complementação onírica somente que sou eu a me deleitar. Não o digo, não o proclamo. Não o dizem, não o sentem - Aproximam-se de uma simbiose a deixar univitelinos invejosos Mas sou eu, também, seu vórtex. Cada arranhão, toda gota de sangue é a mim que fere, é de mim arrancada. Mas nada disso importa Agora que as existências indissociaram-se indelevelmente É o meu sono que não vem mais à noite Atormentando, minuciosamente, cada piscada minha. |
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